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há 8 minutos
Por Maria Virgínia Ferreira Lopes, Economista

Você pode dizer que não vai com a cara dela. Que não gosta do jeito, do estilo mais incisivo, da roupa e até da tiara. Isso é gosto pessoal. O problema começa quando a antipatia substitui a análise dos fatos e revela preconceitos de classe, aparência, origem, gênero e diferentes formas de enxergar o mundo.
O estilo sofisticado encanta porque transmite beleza, juventude, sucesso e riqueza e cria uma falsa sensação de pertencimento. Só esquecemos de um detalhe: esse mundo pertence a pouquíssimas pessoas. Como nos ensinou Milton Santos, “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”.
Uma coisa é não gostar de Fátima. Outra é se recusar a reconhecer o que aconteceu no Rio Grande do Norte durante seu governo. O Estado tem problemas fiscais? Tem, e são graves. Mas quem conhece a história do RN sabe que essa crise não nasceu agora. É preciso considerar o ponto de partida, a trajetória das contas públicas e o esforço realizado para reduzir o comprometimento da receita com pessoal.
Também é preciso olhar para as entregas: recuperação da malha rodoviária, IERNs, investimentos em segurança pública, expansão e descentralização da saúde, políticas de atração de investimentos e obras estruturantes em parceria com o Governo Federal, além da retomada da política habitacional com milhares de moradias destinadas ao RN.
Pode discordar das prioridades, apontar erros e cobrar o que ainda não foi feito. Isso é democracia. Mas não dá para apagar uma estrada recuperada porque não gosta da tiara da governadora, nem fingir que um instituto de educação não existe porque não gosta da maneira como ela fala. Antipatia pessoal não pode ser critério para avaliar uma gestão.
E há um aspecto que também precisa entrar nessa avaliação: o governo Fátima não foi marcado por escândalos de corrupção. Num país em que tantas vezes a política é julgada também por esse aspecto, integridade, transparência e respeito ao dinheiro público não podem simplesmente desaparecer da análise.
Não estou propondo que ninguém goste de Fátima. Estou propondo algo muito mais simples: olhe os fatos. Compare o Rio Grande do Norte que ela recebeu com o que está entregando, reconheça avanços e problemas e tire suas próprias conclusões. Porque gosto é pessoal; preconceito precisa ser enfrentado; e a realidade não desaparece simplesmente porque contraria aquilo em que escolhemos acreditar.
Estamos no momento decisivo e as ideias preconceituosas e sexistas não correspondem aos fatos. Como já disse Cazuza: “o tempo não para!”.
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