COM US$ 91,2 MILHÕES, OURO ENTRA NO TOP 4 DAS EXPORTAÇÕES DO RN EM 2025
- comercialpautarn
- 25 de jan.
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O início da exploração de ouro em 2025 já garantiu ao mineral um lugar de destaque na pauta de exportações do RN. De acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec), no ano passado as vendas do bulhão dourado em formas brutas para uso não monetário (ouro) ao exterior somaram US$ 91,2 milhões e equivalem a 94% do volume registrado para o grupo “pedras e metais preciosos e semipreciosos”. Além de assumir a liderança do grupo, o mineral ocupou o 4º lugar no ranking de exportações gerais do Estado, representando 8,4% das vendas totais, segundo o Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado.
Em 2025, o volume de todas as exportações potiguares fechou em US$ 1,08 bilhão, enquanto o grupo “pedras e metais preciosos e semipreciosos” cresceu 1.688% com relação a 2024, passando de cerca de US$ 5,4 milhões para US$ 96,5 milhões em vendas. O coordenador de Desenvolvimento Mineral da Sedec, PAULO MORAIS, explica que o resultado está diretamente relacionado ao início das operações do Projeto AURA BORBOREMA, em Currais Novos, em junho do ano passado. Ele destaca a expressividade dos números mesmo em um curto período de exploração.
O ano passado foi praticamente um ramp-up [fase de aceleração de uma determinada atividade] para o projeto, que só atingiu a fase comercial, de fato, por volta de outubro, a três meses do final de 2025. Então, esses números são muito relevantes”, frisa Morais.
O projeto é o único de extração de ouro no RN atualmente. Segundo Paulo Morais, da Sedec, os números sobre a produção aurífera do RN só devem ser divulgados em março. Segundo ele, a expectativa é de que, já em 2026, a mina consiga operar em sua capacidade plena, cuja produção é estimada em 83 mil onças (o termo representa a medida utilizada para venda do produto) de ouro por ano.
“Com isso, já neste ano, o crescimento tende a ser ainda mais forte, com potencial de ficar muito perto do principal item de exportação do estado atualmente, que é o petróleo”, analisa o coordenador da Sedec.
Para o presidente do Sindicato do Sindicato da Indústria da Extração de Materiais Básicos de Minerais Não-Metálicos do RN (Sindiminerais), MÁRIO TAVÁRES, ao menos por enquanto será difícil superar o petróleo como principal exportador por conta da alta demanda mundial por esse produto.
Ele ressalta, no entanto, que a extração de ouro local deverá ter um salto significativo este ano. “Acredito que o foco é trazer mais qualidade ao produto, pensando também na quantidade. Então, a produção deverá aumentar bastante”, disse Tavares, que preferiu não especular sobre de quanto seria esse aumento em números.
O professor e geólogo Alexandre Rocha disse ser difícil projetar se o mineral irá liderar a pauta de exportações do RN, mas destacou que a extração local tem potencial gigantesco, graças também a fatores como o preço da onça de ouro.
OURO REPRESENTA METADE DAS RECEITAS POR CFEM
Além de se destacar nas exportações, em 2025, a extração de ouro no RN foi a principal responsável por alavancar a arrecadação por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Dados da Sedec com base nas informações da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que, no ano passado, as receitas da CFEM destinadas ao RN (estado e municípios) por extração de minérios somaram US$ 12,64 milhões. Desse montante, R$ 6,96 milhões (52,9%) foram por comercialização de ouro ocorrida exclusivamente em Currais Novos.
A ANM informou que a “mineradora Cascar Brasil Mineração Ltda [Aura Minerals] foi a única empresa a recolher a CFEM decorrente da comercialização” desse minério no RN. Conforme estabelecido em Lei (13.540/2017), 15% das receitas da CFEM são repassadas ao estado, enquanto a maior parte (60%) é direcionada ao município onde ocorre a exploração. No ano passado, portanto, os valores destinados via CFEM por exploração de ouro ficaram em torno de R$ 1,04 milhão para o RN, e de R$ 4,1 milhões para Currais Novos.
A expectativa sobre a ampliação das receitas nos próximos anos é grande, dada a importância atual da atividade. Segundo a Sedec, o projeto Aura Borborema gera 4 mil empregos diretos e indiretos, quantidade que deve ser expandida com a exploração de uma nova área, um depósito de ouro sob a BR-226, próximo a Currais Novos. A Sedec informou que a Aura Minerals está em tratativas com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para planejar desvios alternativos à rodovia, a fim de permitir a extração do minério na área.
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Tribuna do Norte

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