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CONVERSA LIVRE por Bosco Afonso

  • comercialpautarn
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

O RN TENTA NÃO PARAR

A realidade fiscal do Rio Grande do Norte abandonou o campo das projeções para se tornar um cenário de insolvência prática. O que se observa na Governadoria não é mais gestão, mas um exercício desesperado de sobrevivência financeira que sacrifica o funcionalismo e aniquila a capacidade de investimento do Estado.


O anúncio do reajuste de 4,26% para os servidores gerais — índice inferior aos 5,4% concedidos aos professores — expôs a fragilidade do Tesouro Estadual. A proposta de parcelamento em seis vezes não é apenas uma estratégia administrativa; é uma confissão tácita de incapacidade de caixa. O governo Fátima Bezerra, sufocado por uma folha de pagamento que consome quase a totalidade da receita corrente líquida, opera hoje no limite da responsabilidade fiscal.


O grande vilão desta tragédia contábil atende pelo nome de IPERN. O déficit previdenciário do RN é uma bomba de efeito contínuo, apresentando rombos mensais que superam a marca dos R$ 100 milhões, sem citar o acumulado que já atinge mais de R$ 5 bilhões. Com um estoque de inativos que cresce em progressão geométrica frente a uma base de contribuintes estagnada, o Estado tornou-se uma imensa folha de pagamento que, por acaso, ainda tenta gerir serviços públicos.


O vaticínio do vice-governador Walter Alves sobre a “bomba” fiscal não foi apenas um alerta, mas uma previsão certeira do desgaste que hoje recai exclusivamente sobre Fátima Bezerra. A desistência do projeto ao Senado Federal em 2026 não foi um gesto de desprendimento, mas uma imposição da realidade: sem alternativa política ou fôlego financeiro, a governadora viu-se obrigada a permanecer no comando de uma nau que ameaça submergir.Enquanto o Estado luta titanicamente para honrar salários e aposentadorias, setores vitais como Saúde e Educação definham. O Rio Grande do Norte perdeu sua pujança e sua capacidade de atrair prosperidade, transformando-se em um ente federativo que trabalha apenas para pagar o ontem, negligenciando o hoje e comprometendo irremediavelmente o amanhã. A conta chegou, e o preço é a paralisia do desenvolvimento.


O Rio Grande do Norte não investe; ele apenas tenta não parar.



 
 
 

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