Conversa Livre por Bosco Afonso - A ENCRUZILHADA DO PT
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O xadrez político do Rio Grande do Norte caminha para um momento de definições drásticas, e o Partido dos Trabalhadores (PT) encontra-se no centro de uma tensão que mistura ambição estratégica e risco eleitoral. Sob o guarda-chuva da Federação Brasil da Esperança (composta ainda por PV e PCdoB), a legenda projeta um crescimento robusto na Câmara dos Deputados, mas o desejo de conquistar uma cadeira no Senado Federal e o Governo do Estado transformou o cenário em um labirinto de difícil saída.
Atualmente, a Federação possui fôlego para eleger entre três e quatro deputados federais, um número expressivo que consolidaria a base de apoio do Presidente Lula em Brasília a partir de 2027. Contudo, o apetite petista não se limita à Câmara dos Deputados. O partido mira, com exclusividade, uma das duas vagas em disputa para a Câmara Alta, um plano que depende diretamente dos movimentos da governadora Fátima Bezerra.
O plano principal (“Plano A”) estabelece que Fátima Bezerra renuncie ao cargo até o dia 3 de abril para disputar o Senado. Essa movimentação, contudo, exige uma estabilidade política e uma engenharia de sucessão que ainda enfrentam percalços. Sem a concretização dessa renúncia, o PT se vê obrigado a sacar sua “carta na manga”: o nome da deputada federal Natália Bonavides.
Natália surge como a solução para o vácuo no Senado, mas sua candidatura ao cargo majoritário cria um efeito dominó preocupante para a proporcional. Estimativas internas e pesquisas anteriores indicam que, como candidata à reeleição para a Câmara, Bonavides poderia alcançar a marca de 200 mil votos, servindo como uma poderosa “puxadora de legenda”
A encruzilhada é nítida e cruel para a estratégia partidária: 1) Se Natália aceitar e for para o Senado, o PT garante uma candidatura competitiva para a Câmara Alta, atendendo às expectativas do PT Nacional e de Lula, mas desfalca gravemente a nominata da Federação. Sem os votos dela, a meta de eleger quatro deputados federais torna-se um sonho muito distante, colocando em risco até mesmo a segunda vaga. 2) Se Natália ficar na Câmara, a nominata permanece pesada e vitoriosa, mas o partido assume um “risco de grandiosidade incalculável” ao ter que lançar um nome menos competitivo para o Senado, podendo entregar a vaga para a oposição.
Nos bastidores da política potiguar, o comentário é uníssono: o PT desenhou um esquema para concentrar o poder, visando o Governo, o Senado e a maior bancada federal simultaneamente.
Embora conte com o apoio formal de aliados, a percepção de que a legenda “quer comer sozinha” gerou um isolamento técnico, a partir das saídas do vice-governador Walter Alves, do presidente da Assembleia Legislativa deputado Ezequiel Ferreira de Souza e de deputados estaduais que se sentiram desprestigiados pelo governo.
Ao tentar cercar todas as frentes de poder, o tiro pode acabar saindo pela culatra. A dependência de um único nome – o de Natália – para salvar duas estratégias distintas revela a fragilidade de um planejamento que apostou alto demais na centralização. Se a Federação minguar na Câmara para garantir o Senado, ou se perder o Senado para salvar a Câmara, o PT terá que lidar com o gosto amargo de uma vitória parcial — ou de uma derrota estratégica que mudará o equilíbrio de forças no RN pelos próximos anos.

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