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Conversa Livre por Bosco Afonso - O PRAGMATISMO DO PODER

  • comercialpautarn
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

No cenário político brasileiro, a máxima popular de que “esquerda e direita são farinhas do mesmo saco” ganha contornos de realidade matemática ao observarmos as movimentações para o pleito de 2026. O que se desenha não é um embate de visões de país, mas uma sofisticada engenharia de sobrevivência e manutenção de influência. A distinção entre um “projeto de governo” — pautado em políticas de Estado — e um “projeto de poder” — focado na perpetuação de grupos — nunca foi tão nítida.


O Partido dos Trabalhadores (PT), após três mandatos de Lula e dois de Dilma Rousseff, exemplifica essa transição. Críticos argumentam que o partido converteu sua estrutura em uma máquina de manutenção da situação conquistada. A prioridade parece ter se deslocado da reforma estrutural para a acomodação de alianças que garantam a governabilidade, transformando o “socialismo” em um pragmatismo de conveniência.


A direita e o centro não ficam atrás na arte do camaleonismo. A articulação da Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) é o retrato fiel dessa fluidez. Após anunciarem um rompimento estridente com o Planalto, as siglas agora ensaiam um recuo em direção à neutralidade. O motivo é eleitoral: garantir que verbas e estruturas não sejam sacrificadas em um embate direto entre o lulismo e o bolsonarismo. Enquanto isso, o PSD de Gilberto Kassab atua como uma “terceira via de conveniência”, lançando nomes como Ratinho Junior e Ronaldo Caiado mais para valorizar seu passe do que por uma alternativa sólida. No outro extremo, Flávio Bolsonaro insiste em uma candidatura que reflete menos um anseio popular e mais a tentativa de blindagem de um projeto de poder familiar.


Dados recentes de institutos como a Quaest e Atlas Intel mostram que essa estratégia de “neutralidade” e personalismo gera um efeito colateral preocupante: a alienação do eleitor independente. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro consolidam seus núcleos duros, as pesquisas indicam que cerca de 25% a 30% dos eleitores se dizem dispostos a votar em branco ou anular se a escolha for apenas entre os polos ou siglas que ficar “em cima do muro”.


O brasileiro tem percebido que a neutralidade do “Centrão” não é um gesto de equilíbrio, mas uma espera pelo lance mais alto. O sentimento de decepção é palpável; o eleitor médio sente que, independentemente da cor da bandeira, o Brasil está em segundo plano. As siglas funcionam como empresas de agenciamento de interesses, onde a ideologia é apenas o rótulo de um produto que muda conforme o mercado.


O grande paradoxo de 2026 é que, enquanto os partidos buscam se proteger no pragmatismo, o cidadão observa, atônito, que o projeto para a nação continua sendo o grande ausente. A política tornou-se um jogo de espelhos onde esquerda e direita se assemelham no apetite pelo controle da máquina, deixando o eleitor com a incômoda sensação de que o destino do país é apenas um detalhe burocrático.



 
 
 

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